Interferência do recife artificial marinho (RAM) na pesca artesanal do Brasil: uso de conhecimentos tradicionais
DOI:
https://doi.org/10.20950/1678-2305/bip.2022.48.e661Palavras-chave:
artisanal fishermen;, local knowledge;, submerged reefs;, fishery management;, southeastern Brazil.Resumo
O objetivo deste estudo foi descrever os conhecimentos tradicionais dos pescadores artesanais relacionados ao recife artificial marinho (RAM) navio Victory 8B e identificar possíveis alterações na área de pesca após a sua instalação. Foram realizadas entrevistas etnográficas (n = 80) por meio de questionário semi-estruturado, sendo aplicado o método de observação participante e uso do diário de campo. Todos os entrevistados eram homens com idades entre 27 e 77 anos, com baixa escolaridade e até 60 anos de experiência na pesca artesanal. A maioria dos entrevistados (n = 71; 88,7%) reconhece a presença deste RAM na região, seu papel como abrigo para a fauna marinha e como atrator de espécies com valor comercial. Mesmo com a proibição da pesca nas proximidades do RAM Victory 8B, a maioria dos entrevistados (n = 75; 93,7%) relatou a prática naquela área. Segundo os pescadores, a instalação do navio não alterou a área de pesca, mas a estrutura mudou positivamente a atividade, atraindo mais peixes, aumentando a captura e os lucros. Com isso, na percepção dos pescadores, o RAM Victory 8B cumpriu seu papel no enriquecimento do estoque pesqueiro e na conservação da biodiversidade marinha da região.
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