Co-ocorrência espacial de duas espécies de Sciaenidos (Micropogonias fuernieri e Cynoscion guatucupa) sujeitas í­Â  pesca no Rí­­o de La Plata e costa oceí­¢nica uruguaia: interdependência ecológica ou tecnológica?

Autores

  • Walter NORBIS Departamento de Biolog-­­a Poblacional, Dirección Nacional de Recursos Acuáticos (DINARA), Ministerio de Ganaderí­­a Agricultura y Pesca (MGAP) http://orcid.org/0000-0002-7819-3450 (não autenticado)
  • Oscar GALLI Departamento de Biolog-­­a Poblacional, Dirección Nacional de Recursos Acuáticos (DINARA), Ministerio de Ganaderí­­a Agricultura y Pesca (MGAP)

Palavras-chave:

corvina, pescada-olhuda, pesca industrial, estuário Rí­­o de la Plata

Resumo

A corvina (Micropogonias furnieri) e a pescada-olhuda (Cynoscion guatucupa) são os recursos mais importantes das pescas costeiras no Oceano Atlí­¢ntico Sudoeste, em particular, no estuário do Rí­­o de la Plata. O objetivo deste estudo foi analisar a coocorrência espacial e temporal de ambas as espécies em relação í­Â s estimativas de densidade, estrutura de comprimento e indiví­­duos imaturos e maduros, usando dados de cruzeiros de pesquisa realizados entre a primavera de 1991 e 1995 e de 2007. A tendência de coocorrência foi positiva, e a superposição das duas espécies ocorreu em mais de 53% dos lances de pesca, ora significantivamente ou com predominí­¢ncia da corvina ou da pescada-olhuda. Foram encontradas diferenças significativas entre a distribuição espacial das duas espécies durante a primavera na área de estudo, exceto no ano 1992, supostamente como consequência do aumento da descarga de água doce, efeito do fenômeno El Nií­±o/Oscilação Sul (ENOS). Nos lances de pesca em que ocorreu sobreposição destas duas espécies, a composição de tamanhos mostrou adultos de corvina coocorrendo com juvenis de pescada-olhuda. A segregação espacial destas duas espécies, que não se dá ao acaso, consequência da heterogeneidade de habitats e das diferenças de hábitos alimentares, não suporta a hipótese de interdependência ecológica. Em vez disso, de acordo com a frota de arrasteiros que opera e se dirige í­Â  captura destas duas espécies, pode haver evidências de interdependência tecnológica. Os arrastos de pesca podem estar tendo diferentes efeitos sobre diferentes classes de tamanho, com requerimentos ambientais distintos em diferentes momentos da sua história de vida. Estes aspectos devem ser considerados quando se comparam diferentes medidas de manejo pesqueiro, relacionadas í­Â s áreas de desova e a unidades genéticas das duas espécies.

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Publicado

2018-11-11

Edição

Seção

Artigo cientí­fico

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