Pesca artesanal e cetáceos que ocorrem no litoral leste do Rio de Janeiro: uma abordagem etnoecológica para verificar a existência de manejo tradicional

Autores

  • Camila Ventura da SILVA Universidade Estadual do Norte Fluminense, Centro de Biociências e Biotecnologia, Laboratório de Ciências Ambientais
  • Sérgio Carvalho MOREIRA Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro, Departamento de Ciências Ambientais, Instituto de Florestas, Laboratório de Bioacústica e Ecologia de Cetáceos
  • Camilah Antunes ZAPPES Universidade Federal Fluminense, Instituto de Ciências da Sociedade e Desenvolvimento Regional, Departamento de Geografia de Campos. http://orcid.org/0000-0002-5486-6577 (não autenticado)
  • Ana Paula Madeira DI BENEDITTO Universidade Estadual do Norte Fluminense, Centro de Biociências e Biotecnologia, Laboratório de Ciências Ambientais http://orcid.org/0000-0002-4248-9380 (não autenticado)

Palavras-chave:

pescadores artesanais, conhecimento tradicional, ecologia humana, Cabo Frio

Resumo

Foram descritas a atividade de pesca artesanal praticada no municí­­pio de Cabo Frio, costa leste do Rio de Janeiro, e as interações com os cetáceos na região a partir da percepção dos pescadores, verificando-se a existência de manejo tradicional para minimizar as possí­­veis interações negativas entre a pesca e esses animais. Entre julho e novembro de 2012 foram realizadas 45 entrevistas etnográficas com pescadores que atuam na região. Os pescadores eram do sexo masculino, com idade predominante entre 34 e 51 anos e baixa escolaridade formal. As modalidades de linha (linha-de-mão e espinhel) foram os petrechos preferencialmente utilizados, e os principais produtos capturados foram peixes ósseos (demersais e pelágicos). Todos os entrevistados relataram a ocorrência de cetáceos na região. Avistagens de baleias ocorreram principalmente no verão, segundo os pescadores, devido í­Â  disponibilidade de alimento, e no inverno e na primavera, a partir de movimentos migratórios que incluem a região como rota. Os golfinhos ocorreram ao longo do ano todo e sua presença foi relacionada í­Â  disponibilidade de alimento. Todos os relatos de interações entre cetáceos e a pesca foram classificados como negativos. Interações dos animais com petrechos de pesca e colisões com embarcações foram indicadas por 24% (n = 11) e 4% (n = 2) dos entrevistados, para baleias e golfinhos respectivamente. Apesar da elevada sobreposição entre as áreas de pesca e de ocorrência dos animais, não se verificou a existência de um sistema de manejo tradicional da pesca considerando os cetáceos. Isso reflete a baixa interação negativa entre a pesca e os animais na região.

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Publicado

2018-11-17

Edição

Seção

Artigo cientí­fico

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