Desafios do modo de vida da pesca artesanal em uma região em crescimento: a comunidade Tanquã, Piracicaba/SP

Autores

  • Raquel Duarte VENTURATO Mestre em Agroecologia e Desenvolvimento Rural (UFSCar) e Pesquisadora do programa de Agricultura Familiar do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá
  • Norma Felicidade Lopes da Silva VALENCIO Docente do Depto de Sociologia e dos PPG's em Agroecologia e Desenvolvimento Rural e de Sociologia da UFSCar http://orcid.org/0000-0003-1855-3458

Palavras-chave:

comunidade tradicional, pesca continental, pesca artesanal, Tanquã/Piracicaba

Resumo

A intensificação dos múltiplos usos das águas na Bacia do Rio Piracicaba tem promovido alterações no ecossistema aquático, com decorrente influência deletéria sobre os estoques dos recursos pesqueiros, o que implica limitações na sobrevivência e reprodução social de comunidades tradicionais. A Comunidade Tanquã do Piracicaba tem o modo de vida centrado na pesca artesanal. A deterioração do ecossistema aquático age como um fator de dissolução deste modo de vida, de um lado, comprometendo e restringindo o uso dos recursos naturais, e de outro, exigindo a modernização de tais práticas para que a pesca artesanal alcance uma sobrevida. A resistência aparece nas representações de mundo, na memória oral e na sociabilidade extraeconômica, conferindo um contraponto a uma adesão plena í­Â  racionalidade de mercado. Como um estudo de caso, este artigo objetiva apresentar uma descrição sucinta e uma análise sociológica do processo a partir de uma abordagem qualitativa de pesquisa, na qual os relatos orais e a observação direta mesclam-se para caracterizar a estrutura e a diní­¢mica da produção social do lugar. Esse trabalho conclui que o modo de vida da pesca artesanal, como no Tanquã, passa por substanciais dificuldades quando o crescimento regional não considera uma abordagem ecossistêmica no acesso e uso da água doce.

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Publicado

2018-11-05

Edição

Seção

Nota cientí­­fica (Short Communication)