Biodiversidade impactada pela pesca industrial de piramutaba na foz do Rio Amazonas

Autores

  • Alex Garcia Cavalleiro de Macedo KLAUTAU CEPNOR/ICMBio
  • Ana Patrícia Barros CORDEIRO Bolsista CNPQ / ICMBio/CEPNOR
  • Israel Hidenburgo Aniceto CINTRA UFRA
  • Lins Erik Oliveira da SILVA IFPA
  • Herbster Ranielle Lira de CARVALHO CEPNOR/ICMBio http://orcid.org/0000-0002-2446-7065
  • Lauro Satoru ITÓ UFRA

DOI:

https://doi.org/10.20950/1678-2305.2016v42n1p102

Palavras-chave:

estuário amazônico, fauna acompanhante, pesca de arrasto de fundo, Brachyplatystoma vaillantii

Resumo

No Brasil, a pesca industrial da piramutaba (Brachyplastytoma vaillantii) é realizada na foz do rio Amazonas e utiliza como apetrecho de pesca rede de arrasto de fundo, considerada a arte de pesca potencialmente mais danosa ao ambiente e a biodiversidade, devido a destruição de biomassa e captura acidental de várias espécies, chamadas de fauna acompanhante ou bycatch. Com o objetivo de caracterizar as espécies que compõem a ictiofauna acompanhante da B. vaillantii, foram analisados 459 arrastos de pesca entre os anos de 2002 e 2008 tanto na área permitida quanto na protegida. Os resultados revelaram que a ictiofauna acompanhante da piramutaba é composta por 38 espécies, distribuí­­das em 17 famí­­lias e 33 gêneros. A piramutaba foi confirmada como espécie dominante, compondo 76% da produção dos arrastos, e a dourada, a principal espécie acompanhante com 7,05%. Foi registrado a ocorrência de mero Epinephelus itajara, que encontra-se na lista da União Internacional para a Conservação da Natureza de espécies criticamente ameaçadas de extinção. Apesar da produção ter sido maior no perí­­odo chuvoso do que na estiagem, não houve diferença no í­­ndice de biodiversidade nas diferentes áreas ou perí­­odos.

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Publicado

2016-03-30

Edição

Seção

Artigo cientí­fico

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