Avaliação do frescor do pescado congelado comercializado no Mercado Municipal de São Francisco do Conde- BA

Autores

  • Mariana Martins Magalhães de SOUZA Pós-Graduação em Ciência de Alimentos, Faculdade de Farmácia. Universidade Federal da Bahia (UFBA)
  • Dalva Maria da Nóbrega FURTUNATO Escola de Nutrição. Universidade Federal da Bahia (UFBA)
  • Ryzia de Cássia Vieira CARDOSO Escola de Nutrição. Universidade Federal da Bahia (UFBA) http://orcid.org/0000-0001-5292-713X
  • Simone Vieira ARGÔLO Escola de Nutrição. Universidade Federal da Bahia (UFBA)
  • Ícaro Ribeiro Cazumbá da SILVA Pós-Graduação em Ciência de Alimentos, Faculdade de Farmácia. Universidade Federal da Bahia (UFBA)
  • Luís Fernandes Pereira SANTOS Escola de Nutrição. Universidade Federal da Bahia (UFBA) http://orcid.org/0000-0002-3541-6810

Palavras-chave:

fishes, bases voláteis totais, pH, segurança de alimentos, vigilí­¢ncia sanitária

Resumo

Avaliou-se o frescor do pescado congelado comercializado no Mercado Municipal de São Francisco do Conde-BA. Foram coletadas 72 amostras de pescado, compreendendo 12 amostras de cada uma das seguintes espécies: robalo (Centropomus undecimalis), tainha (Mugil brasiliensis), camarão (Penaeus brasiliensis), sururu (Mytella guyanensis), ostra (Crassostrea rhizophorae) e siri (Callinectes sapidus). As análises realizadas compreenderam determinação de pH e de bases voláteis totais (BVT) e provas de Éber para gás sulfí­­drico e para amônia, seguindo metodologias estabelecidas pelo Instituto Adolfo Lutz e pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA). Os resultados evidenciaram que 62,5% das amostras estavam fora do limite permitido pela legislação para pH, 27,8% para bases voláteis totais e 70,8% para gás sulfí­­drico. Em relação í­Â  prova de Éber para amônia, evidenciou-se que 40,3% das amostras apresentaram-se positivas, estando em desacordo com recomendações técnicas. Face í­Â  legislação, registraram-se 90,3% de não conformidade para o conjunto de amostras. Os crustáceos compreenderam o grupo de pescado com maior í­­ndice de não atendimento aos padrões. Avalia-se que as "não conformidades†observadas decorreram, provavelmente, de inadequações, tanto no que se refere í­Â s condições de higiene quanto í­Â  insuficiência de métodos de conservação dos produtos, desde a captura até a comercialização. O estudo sinaliza riscos potenciais í­Â  saúde das pessoas, decorrentes do consumo destes produtos, e a necessidade de medidas estruturantes com vistas a fortalecer esta cadeia produtiva em ní­­vel local.

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Publicado

2018-11-13

Edição

Seção

Artigo cientí­fico